Finja que nada aconteceu, que nós somos dois desconhecidos arrojados numa cama de motel miserável onde os ratos aplaudem nossa noite quente de pretextos, entre no clímax da arte e me ame agora como se fosse a primeira vez. Peça duas taças de champagne barato, derrame no meu corpo e sinta o contraste de frescor desse espumante, com o calor em lume da minha pele. Deseje todos os encantos vedados, mande-me, assanhe-me, satisfar-te-ei. Simule que não sabe meu nome, que não sabia da minha essência e que me contratou por um ocaso. Trate-me como se eu fosse mulher-de-vida-fácil, abuse, só não se ligue aos meus lábios, pois correrás perigo. Obtenha-me atrelada a ti e me seja pleno até alvorecer. Ao final das contas, não resista, exponha-se, prove da minha doçura e me beije mesmo sabendo dos riscos, ter-me-ás hoje e morrerás feliz. Deliciando do mel de minha boca, apaixone-se, ame-me, peça pra me ver novamente, repita dessa vez em dose dupla. Ligue-me, procure-me e cairás na minha armadilha. Não viva mais sem mim, veja-me todos os dias, declare-se e me peça em matrimônio sem voltar atrás. Faça-me sexo sem nexo sempre me tratando como aquela desconhecida de uma madrugada, caia no meu jogo inúmeras vezes, apaixonando-se cada noite por uma mulher diferente (eu em várias fases). Seja tudo sempre como se fosse a primeira vez, só não deixe o fogo cessar.